Discutindo a relação com materiais de arte: carvão

img_carvao1

A minha primeira experiência com carvão foi apaixonante! ❤ Adoro desestressar com ele. 🙂

Com o carvão podemos deixar marcas no papel com risco intenso e ao mesmo tempo fluido, pois facilmente pode ser desconstruído, esfumaçado com o próprio dedo ou algodão ou esfuminho. É um material de fácil diálogo e não requer muitas habilidades para explorá-lo.

Você poderá perceber o que estou falando quando experimentar rabiscar com carvão. Verá que sua relação com essa atividade será outra. Por ser um material intermediário, construímos linhas, mas também podemos desconstruí-las, permite uma outra forma de sentir o rabisco ou desenho.

Quando estou me relacionando com esse material consigo trabalhar a maleabilidade que existe em mim, já que posso corrigir o traço a qualquer momento. Além disso, consigo diferentes tons e nuances com ele: do tom mais intenso ao mais claro.

Esse fazer de apagar e recriar ajuda a refletir que tudo e qualquer situação pode ser recriada, transformada. Nada é fixo na vida. Está em constante mudança e somos os criadores de nossa realidade.

Podemos escolher em deixar o traço como está ou recriá-lo dando diferentes formas e tons. Da mesma forma que em cada situação que vivenciamos. Não há quem diga que depende do nosso olhar? Se vemos o copo meio cheio ou meio vazio? Qual você escolhe? Com a atividade de carvão descobrirá aos poucos. 😉

O grande barato dessa relação com os materiais artísticos é que, despretensiosamente, ao lidarmos com eles, estamos olhando para nós mesmos também. Essa é a beleza da arte criativa. J

Existem diversas formas de carvão vegetal atualmente. Em bastões ou barra, lápis carvão, carvão em pó, barras com carvão e óleo (cretacolor), carvão em mina. Há ainda o carvão branco (maravilhoso para papéis pretos) e o  Art Chuncky, da Cretacolor, que possui 12 cores. Ele, usualmente, é um material barato (até R$10,00), porém existem modelos utilizados por profissionais que chegam a custar mais de R$ 100,00.

Você pode usar a borracha convencional para espalhar o carvão sobre o papel ou, se desejar, apagar completamente deve usar a borracha limpa-tipo, ela parece uma “massinha” e deve-se retirar um pedaço dela e esfregar na área que deseja apagar. Muito boa essa experiência de trazer luz ao desenho escuro do carvão, clareando as ideias!!!

Algumas de minhas experiências com carvão.

Algumas de minhas experiências com carvão para você perceber o efeito de contrastes e tons que ele proporciona.

O interessante é trabalhar com o papel poroso e texturizado para que o carvão possa ser melhor absorvido pelo papel. Para fixar o carvão, você pode usar fixador de cabelo (baratex \o/) que seu desenho ficará protegido.

Vou dar um empurrãozinho nessa relação. Experimente fazer a atividade abaixo:

  1. Arrume seu local de fazer arte e reúna o material: bastões de carvão, papel A4 (se tiver rugoso ou texturizado ou poroso, melhor), algodão, durex;
  2. Respire profundamente por três vezes. Inspirando e expirando o ar para se conectar a este momento de fazer criativo.
  3. Escolha uma música que lhe agrade (qualquer uma)
  4. Coloque a folha na sua frente e a prenda com durex na mesa, ligue o som e de olhos fechados, comece a fazer movimentos no papel com o bastão de carvão sentindo a música.
  5. Faça por quanto tempo desejar. Se preferir, cubra a mesa com ou plástico para não ter receio de rabisca-la e se desconcentrar. 😉
  6. Abra os olhos e veja seus riscos. Com o algodão vá suavizando os riscos. Você, agora, vai brincar de clarear áreas, fazer um degradé, do mais escuro ao mais claro. Veja quais riscos deseja deixar e quais deseja clarear.
  7. Repita esse exercício quantas vezes desejar. É muito relaxante. J

Comenta aqui o que você achou desse post e conta pra mim se já fez algum desenho com carvão? Compartilha com os amigos para eles também se inspirarem a fazer arte. 😉

Discutindo a relação com os materiais de arte: Nanquim

discutindo a relação materias de arte nanquim

 

Começo essa série de DRs (kkk) com os materiais de arte (se estiver curioso leia esse meu post aqui), falando sobre o nanquim. Amo trabalhar com nanquim. É um dos meus materiais favoritos. Acho ele versátil e ao mesmo tempo desafiador e assertivo, pois você não pode desfazer ou consertar o que faz com nanquim. Fez está feito! Consideram-no um material de alta precisão.

Ele possui secagem ultra rápida, diferente dos trabalhos em tinta acrílica, tinta óleo ou guache. Até mesmo em aquarela conseguimos alguns segundinhos para trabalhar nuances de cores na produção. Mas com o naquim, é diferente: se manchar, manchou; se rabiscar, rabiscou. Por esse motivo, muitos aconselham não usá-lo nas primeiras experiências artísticas para não ser decepcionante. 😕

Está aí, um ponto que discordo. Todo material tem múltiplas faces. O meu trabalho com a arte criativa é estar constantemente explorando todas elas, aplicando o material artístico de diferentes formas.

Se você usar o nanquim da forma convencional, fazendo um desenho com caneta nanquim ou com pincel em forma de aguada (técnica de diluir a tinta na água em diferentes tonalidades), por exemplo, pode realmente se decepcionar, pois ele não te dará opção para corrigir o que fez. E você terá que gerenciar sua frustração: expectativa x realidade.

Mas se em vez disso, eu te propor uma atividade que o objetivo for esse aqui ó:

Faça algo, não importa o resultado. Não corrija sua produção! Aceite o seu trabalho e tire proveito do que for produzido para inventar coisas novas. Não pense no que irá produzir, simplesmente faça. 😉

Então, o nanquim é o seu melhor aliado.

Parou para pensar que essa “inflexibilidade e assertividade” do nanquim, pode proporcionar a sua flexibilidade de pensamento e atitude? Usando esse material, você pode olhar para seus erros e aceitá-los, exercitar os músculos da inovação e criatividade, reconectar-se com o amor próprio e, por fim, relaxar.

Por isso, enfatizo que o relacionamento com o nanquim é desafiador. Não é um caminho fácil, principalmente, para quem tem dificuldade de ver seus erros e admiti-los. Aí, realmente não será uma boa relação, tem que ir se aproximando aos poucos. Pode relaxar que vou te mostrar como em outros posts. 😊

E na prática? Como é?

O nanquim é a tinta preta mais antiga de todas. É solúvel em água e assim é possível obter tons mais escuros e claros (cinza claro ao escuro). Você também encontra versões de nanquim em diversas cores, não só a preta, na forma líquida (a mais utilizada). A versão escolar tem o preço bem acessível. Ele é insolúvel em água depois de seco, por ter essa característica é utilizado sobre aquarelas e outras composições a base de água.

Muitos artistas usam as canetas nanquim para fazer seus sketches (esboços), o que, particularmente acho fantástico! Um ótimo exercício de diminuir a autocrítica. Lembre-se de que esboço é esboço, e o erro precisa ser aceito como aprendizado.

Podemos usar o nanquim da inúmeras formas: através das canetas nanquim (recarregáveis ou descartáveis), com bico-de-pena (como as que estão na foto acima), canetas bambu, pincéis, espumas, rolinhos, palito de churrasco, dedo, carimbos, com conta gotas, spray e muitas outras aplicações. O bom é experimentar qual delas você mais gosta.

aplicacoes-nanquimVocê pode molhar o papel com água (a gramatura do papel precisa ser igual ou superior a 200g/m), pingar gotas de nanquim, mexer o papel e ver o resultado. Ou simplesmente inventar texturas ou rabiscos com diferentes bicos de pena (como essa minha foto aí do lado).

Ele é um aliado também de outros materiais. Com o giz de cera na técnica de raspagem ou pode ser usado na pintura lavada. Ótimas dicas que explicarei melhor em outro post ;).

Ufa!!!! É muita conversa para um material só! E nem consegui falar tudo. 😉

E aí? Gostou? Compartilha com seus amigos e me conta nos comentários qual material você sugere que eu coloque no divã no próximo post da série.

Discutindo a relação com os materiais artísticos

materiais artisticos patdiniz

Decidi começar a escrever uma série  sobre os materiais de arte que mais gosto e como trabalho cada um deles na arte criativa. Um simples lápis de cor, giz de cera ou aquarela e argila, por exemplo, mobilizam muito mais de nós do que apenas a produção de algo colorido e com formas.

Cada material utilizado estabelece uma relação com você. Como assim? Isso mesmo! Uma relação!!! E como toda relação, pode ser positiva ou negativa. 😉

Vou te explicar melhor.

Qual a sensação que você tem ao rabiscar com lápis grafite ou esferográfica? E qual a sensação que você tem ao colorir, por exemplo, com lápis de cor? É a mesma quando você utiliza aquarela ou giz de cera? Ou é a mesma do rabisco com grafite? Ficou feliz? Mais estressado? Irrequieto? Agitado? Calmo, tranquilo? Quis jogar tudo fora? Ou não queria parar de fazer a atividade?

Estabelecemos uma relação de troca com cada material artístico que utilizamos. O legal de tudo isso é que cada pessoa tem uma relação diferente. Podem estar cinco pessoas pintando com aquarela, por exemplo, que terão percepções distintas: umas podem amar, outras detestar, outras entrar em um estado de plena contemplação, outras bloqueiam totalmente…

Claro, que a atividade artística proposta interfere nessa relação, porém o material artístico possui características clássicas e peculiares que potencializam ou não as sensações.

Ao utilizar fazer arte você está, naquele momento, iniciando uma relação com o material artístico, com você (comandante da produção) e o resultado obtido na sua produção (expressão de você mesmo).

E essa pode ser uma das razões pelas quais muitas pessoas afirmam não gostar de desenhar ou pintar ou fazer qualquer atividade artística. É comum escutarmos: ah, isso não é pra mim!😩

Mas essa conclusão só vem de experiências mal sucedidas no ambiente escolar ou na vida adulta ao tentar experimentar alguma técnica ou usar um material de menos afinidade com você, que não te proporciona uma sensação prazerosa.

Em meus estudos de Arteterapia e artes plásticas pude compreender essa relação. Na prática artística vivenciei (e vivencio 😊), a cada dia, diversas sensações/percepções na produção da minha arte.

Por esse motivo, resolvi compartilhar um pouquinho do meu aprendizado com os materiais artísticos para que vocês possam também entrar nesse mundo da arte criativa destruindo os tabus das suas experiências artísticas anteriores.

Acredito que podemos experimentar qualquer atividade artística, mas cada material e técnica tem um momento para cada um de nós. Como se precisássemos entrar em um circuito artístico específico para as nossas necessidades. E, assim, ir avançando na produção e expressão da nossa arte e, consequentemente, do nosso autoconhecimento.

Vou te dar um exemplo do que acontece comigo na prática:

Quando estou extremamente ansiosa ou agitada, não consigo fazer, de primeira, uma atividade que exija muita concentração e detalhes. Preciso deixar fluir minha energia. Então, sempre busco dissolver tintas e construir manchas ou aquarelar no papel ou dissolver giz pastel oleoso. Caso eu queira trabalhar pontilhismo ou pintar detalhes em lápis de cor ou caneta hidrográfica imediatamente, travo. Chego até a me irritar, em vez de me acalmar.

Pode parecer um pouquinho complicado, mas vou explicar as funções básicas de cada material para você entender melhor nos próximos posts dessa série para fazermos essa viagem e descobrirmos juntos.

Enquanto isso, conta para mim, nos comentários qual material artístico você gosta mais e qual você não gosta. Ah, e me ajuda a contar para mais pessoas sobre a arte criativa! Compartilhe com seus amigos. 😉